Homossexualidade

Homossexualidade

Este texto foi inspirado em um post de um colega de trabalho no Facebook. Prefiro não citá-lo aqui, pois não vejo necessidade de expor isso. A discussão gira em torno da ideia de que a homossexualidade é um desvio e que, se sustentado, vai levar à extinção da raça humana. Claro, considero esse argumento vazio e desprovido de qualquer valor científico. Apesar de muitas pessoas usarem a biologia para sustentar que homens e mulheres foram especialmente projetados para o sexo e a perpetuação da espécie, a homossexualidade não se apresenta como um fator contrário a isso. Meu argumento gira em torno deste fato. Inicialmente, sugiro assistir ao vídeo do Drauzio Varella sobre o assunto e só depois ler o texto abaixo. Antes, também é importante assistir ao vídeo do falecido Sr. Eneas Carneiro. Isto porque foi este o vídeo discutido neste post do Facebook. Os dois vídeos estão logo abaixo.

Homossexualidade – Dr. Drauzio Varella

Dr. Enéas Carneiro contra a Homossexualidade

A homossexualidade já foi registrada em praticamente todas as espécies animais. Entretanto, apesar de seu comportamento homossexual, essas espécies continuaram providas do interesse em sua própria perpetuação. O que, na maioria das vezes, é através do acasalamento com a fêmea da mesma espécie (lembrem-se dos seres com reprodução assexuada). Todos que usam esta linha de raciocínio recorrem há um erro fundamental: acreditar que, apesar de providos de um interesse sexual pelo ser do mesmo gênero, esses seres são desprovidos do interesse de perpetuar sua própria espécie. Os seres que, porventura, tinham essa característica, já não existem mais, pois a própria evolução se encarregou de eliminá-los da Terra.

O fato é que, apesar de preferirem o relacionamento sexual com um ser do mesmo gênero, os homens e mulheres homossexuais tem pleno conhecimento que sua perpetuação depende da fecundação. O Sr. Enéas, apesar de muito bom em sua retórica, esqueceu que a questão envolvida aqui é o amor por outro ser e não a reprodução e perpetuação de uma espécie. Praticamente todo casal homossexual, seja composto de homens ou mulheres, deseja ter filhos e tem plena consciência que isto é possível apenas se mantiverem relações sexuais com o gênero oposto. Ou, também, através de técnicas de fertilização in-vitro. Indo além da questão evolutiva e biológica, cabe também outra reflexão: devemos privar de um direito um ser que vem provido de uma característica que é incomum em sua espécie? Devemos eliminar o direito de um portador da Síndrome de Down de se casar? Afinal, os homens que portam essa doença nascem estéreis e certamente vai comprometer a perpetuação de nossa espécie. Ou seja, vocês também defendem proibir o casamento entre portadores de Síndrome de Down? Seria justo e correto priva-los desse direito?

Para concluir, o Sr. Enéas, conforme falei, foi muito bom em sua retórica. Era bom “falador”. Sabia impor suas ideias através do bom uso das palavras e da imposição da sua voz. Entretanto, seu discurso, neste caso, carece de dados científicos reais e verdadeiros. Ele usou uma meia verdade para tentar deduzir uma verdade maior. E falhou miseravelmente.

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Razões para Viver

Razões para Viver

Você, cético, já foi confrontado com a pergunta a seguir? “Se você não acredita em Deus, não acredita em justiça divina, não crê que reencarnará ou ressuscitará, o que lhe motiva a continuar vivendo? Por que não se mata logo de uma vez?“. Por que viver, se vemos tanta injustiça e ódio e não podemos esperar nada para nos confortar em vida ou até mesmo após a morte? Por que viver se a própria vida é fruto do acaso e parece moldada para o sofrimento? Deus parece preencher esta lacuna. Essa crença nos traz conforto e motivos para superar todas as adversidades. Nos faz ter convicção de que nosso sofrimento não é em vão. Sem deus(es), tudo perde sentido.

Então, se eu não creio em nenhum deus, onde encontro conforto? Quais são as minhas crenças e por que elas me fazem ter tanta vontade de viver? Quero tentar lhe explicar exatamente isto. Alguma vez você já parou para contemplar o Universo? Ficou olhando o céu noturno por horas? Já pensou nas infinitas possibilidades desde o “início dos tempos” até o momento atual? Talvez tudo fosse diferente. Um único evento fora de ordem e talvez nossa galáxia sequer existisse. Consequentemente, não teríamos o Sol. Muito menos a Terra. Mas, mesmo sendo bastante improvável, tudo isso existe.

E o nosso próprio planeta? Quantos eventos aconteceram, e em uma ordem surpreendente, para que as coisas fossem como são? Quanta sorte existirmos, não acha? De tantas possibilidades diferentes, aqui estamos nós, questionando nossa própria natureza e as razões para se viver. Até mesmo a minha existência é uma questão de sorte. Tinha que ser exatamente aquele espermatozoide e aquele óvulo para que essa pessoa que aqui escreve tivesse nascido. Um minuto depois, um minuto antes, haveria um outro alguém no meu lugar. Talvez um padre. Ou, na melhor das hipóteses, um grande cientista.

Em diversas vezes eu penso sobre o quanto é improvável minha existência. Richard Dawkins costuma dizer que a quantidade de pessoas que nunca existirão supera, em uma ordem de grandeza inimaginável, a quantidade de pessoas que existem, existiram ou existirão. Pode parecer sem sentido, mas não é. Um único evento fora de ordem poderia desencadear um hoje totalmente diferente. Tente imaginar a quantidade de eventos e as infinitas possibilidades de reorganizar eles. Em todos os casos, teríamos resultados diferentes.

Uma vez que consigo contemplar essa improbabilidade, eu fico paralizado. Fico espantado com o quanto a minha vida é rara. Única. Eu estou vivo e sou capaz de amar, odiar, sorrir, chorar. Ganhei, “de grátis”, a chance de fazer parte da história deste Universo. Não consigo me imaginar entre lamentos e tristezas. Não há tempo para isso, uma vez que ainda que rara, minha vida é rápida. Passageira. Ainda há muitas belezas a serem vistas. Ainda há muitas sensações para se sentir. Há, ainda, muitas descobertas nos esperando.

Por ser improvável e célere, a vida é fascinante. Sinto uma energia imensa em minha mente e corpo toda vez que contemplo este fato. Imagino o quanto ainda viverei. Quantas serão as oportunidades para sorrir. Quantas novidades tecnológicas serei capaz de conhecer. Sinto-me grato por ter esta oportunidade. E sinto que seria uma tremenda injustiça com todos aqueles que poderiam ter nascido no meu lugar, caso eu jogue  minha vida fora.

Imagino que se eu pudesse encontrar com o possível cientista que nasceria no meu lugar, ele retrucaria: Porra, cara! Eu sequer tive a chance de existir pra fazer descobertas incríveis para a humanidade e você vai e se mata porque estava tristinho? Quanta responsabilidade eu carrego em minhas costas!

Agora, eu que lhe faço uma pergunta: por que eu deveria me matar? O mundo é cheio de ódio e injustiça? Talvez! Mas há pessoas boas também. Há beleza aqui, do seu lado e lá fora. A tristeza é um estado de espírito que depende unicamente de você. Assim como a felicidade. E aprendi que este último é o que pretendo usar para viver, contemplar e admirar essa brutal improbabilidade. Matar-se é perder esta oportunidade. E sem volta.

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Frases Insensatas

Frases Insensatas

Tentarei elencar, em uma série de posts, algumas frases que as pessoas falam mas não percebem a grande bobagem que estão dizendo. A primeira frase que citarei é a seguinte: “foi Deus quem me salvou!”. Lembre-se daquele jornal das oitos horas da noite, com o apresentador lhe falando de um acidente aéreo onde 99 pessoas morreram e apenas uma se salvou. O repórter consegue um furo: uma entrevista exclusiva com o sobrevivente. O pobre coitado, após passar o susto que a situação impõe, é perguntado pelo repórter:
- A quê você deve a sua sobrevivência em um acidente tão trágico?
A resposta é imediata, sem pensar:
- A Deus. A mão de Deus me salvou.

Após esta cena, algumas pessoas se emocionam. Choram. Dão seus gritos de “Glória a Deus!”. Já eu… eu fico puto da vida. Analisem um pouco a situação. Foram 99 mortos. O mínimo que se pode pedir é respeito pelos parentes das vítimas. Mas o que isso tem a ver? Eu lhe pergunto, porque diabos este deus não salvou as 100 pessoas e resolveu salvar apenas uma com sua graciosa mão? Ah, era parente dele? As outras não prestavam? Porque estava com preguiça ou tão ocupado que só deu tempo de salvar uma? Sua mão não era grande o suficiente para as 100 pessoas? Ah, eu que sou burro. A resposta padrão é: Deus tem seus motivos e nós não devemos questionar. Ou seja, Deus mata 99 pessoas e salva apenas uma e eu tenho que ficar calado. Não posso nem perguntar quais os motivos, pois ele não vai responder mesmo.

Não sei, mas isto não passa na mente da pessoa que diz uma frase desta. Naquele momento, ela foi mais importante que as outras 99, as outras que se danem, eu me salvei e Deus quis assim. Da próxima vez, lembre-se que há pessoas chorando por seus mortos e que estes mortos eram importantes para elas. Uma frase como esta é agressiva. Faz um falso juízo das pessoas que morreram. Há outras questões em pauta, como a possibilidade de os 99 mortos serem muçulmanos e o sobrevivente católico. Qual Deus prevaleceu? :) Mas, não quero entrar nesta questão. O ponto importante pra mim é o respeito com a memória e, acima de tudo, com os sentimentos dos parentes dos falecidos. Pense um pouco antes. Mesmo que você ainda queira evocar seu Deus para justificar sua sobrevivência, pelo menos o faça de forma mais inteligente. Mas minha sugestão é: fique em silêncio.

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Quando Deus é a Explicação para Tudo

Quando Deus é a Explicação para Tudo

Percebo algo em comum no discurso de religiosos fervorosos. Aliás, quando participo de alguma discussão sobre Deus, Moral, Sociedade e Ética sempre noto este traço comum em todos crentes. Deus é a razão de tudo. Toda discussão parte da premissa básica, para eles, de que Deus existe e que não há conversa quanto a este assunto. Fica completamente impossível de argumentar com estas pessoas. Acredito que o motivo básico seja o medo. Deus pode puni-los por ousar a não acreditar nele. Um medo sem lógica. Até mesmo infantil. Este Deus que pune desta forma me lembra apenas filmes de terror de décima categoria. Deus me cria com a capacidade de duvidar, mas me pune caso eu use esta capacidade. Que sujeito benevolente este tal de Deus.

Percebam que argumentos do tipo “Mais vale ser uma pessoa moralmente correta e não acreditar em Deus ou acreditar em Deus e fazer coisas erradas?” não adiantam com pessoas deste tipo. Para qualquer crente que se faça esta pergunta, ela será encarada como uma afronta. Uma falta de respeito absoluta. A essência desta pergunta será desprezada e agora começa-se o debate sobre o quanto você é estúpido por não acreditar em Deus. Não importa a pessoa ser correta moralmente, não acreditar em Deus é um pecado capital e apenas isto importa. Sem Deus, neste caso, não há moral. Não há ética. As pessoas não importam. São corruptas por natureza e apenas Deus pode salvá-las. Que pérola de pensamento! Deus cria a tudo e tudo pode. Mas ainda assim cria pessoas passíveis de corrupção e ainda assim as pune.

Não foram poucas vezes que ouvi e li frases que se referem a Deus como algo mais importante que “sua mãe, seu pai, sua esposa, seus filhos e que todas as pessoas“. É interessante como algo, ou alguém, invisível, sem cor, cheiro ou qualquer característica que seja captável por seus sentidos seja mais importante do que as pessoas que são tangíveis, possuem sentimentos e que, sem sombras de dúvida, realmente se importam com você. Mas, lembre-se, Deus é inquestionável. Você não o vê. Alguns dizem que conversam com ele todos os dias e que ouvem suas respostas. O engraçado é que eu já fiz várias perguntas para ele e até hoje não obtive qualquer resposta. Nem uma tosse. Ele tem raiva de mim e por isso faz esta cena toda e não me responde? Eu não sou merecedor de sua resposta? Ah, eu não quero ouvir, dizem alguns. Dizem estas pessoas que a única forma de ouvir a Deus é acreditando e fazendo o que ele manda. Outra pérola de pensamento.

A melhor parte é, senão a parte mais hilária, quando estes crentes me alertam que meu Pai, meu Criador, está de olho em mim e muito triste comigo. Meu pai? Meu Criador? É de novo a premissa de que Deus não é questionável. Querem entender meu ponto de vista? É o seguinte: as pessoas são importantes. São corruptas? Sim, claro. Mas são tangíveis. Elas existem e disto eu tenho certeza. Elas aqui estão e eu sou uma delas. Faço parte desta “comunidade humana” e, como tal, preciso viver nela da melhor forma possível. A melhor forma possível é sendo correto moralmente. Eu acredito nas pessoas e no poder de mudarem este mundo. Deus? Perdoem-me, seus deuses nada representam para mim.

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Como Virei um Cético

Como Virei um Cético

Neste post, eu gostaria de compartilhar o principal motivo, a causa inicial que motivou o ceticismo em mim. De fato, muitos outros detalhes ajudaram. Mas este foi o início de tudo. Da forma como descrevo abaixo, pode parecer que aconteceu da noite para o dia. Mas foi longo e doloroso. Diversas crises existenciais aconteceram, admito. Mas, enfim, cheguei ao que sou neste exato momento. E gostaria de compartilhar com vocês.

Não lembro de já ter comentado neste blog que já me considerei um fervoroso espírita. Li todos os livros da codificação espírita. Li outras dezenas de livros espíritas em geral, aqueles ditos psicografados. Fui a centros espíritas também. Enfim, seguia uma rotina de um religioso: ler sobre o assunto e frequentar círculos onde pessoas com a mesma linha de pensamento frequentavam. A ideia de viver após a morte me fascinava. A morte me amedrontava. Pensar em morrer e ter a vida totalmente encerrada me fazia sentir um horror indescritível. O espiritismo me acalmava. De fato, o que me estarrecia não era apenas a morte, mas a ideia de que perderia minha individualidade. Meus pensamentos! Meus ideais!

O simples fato de que eu teria outra vida após a morte física me parecia bastante confortável. Nunca havia parado, contudo, para pensar direito sobre o assunto. A leitura dos livros espíritas que retratam a vida de pessoas após a morte não lhe fazem refletir muito sobre o assunto. Parece-me um pouco de “Alice no País das Maravilhas”. Mostram como você deve ser bom para não ser seguido por espíritos ruins. Mostram espíritos sofrendo e pronto. Faltava algo. Nenhum espírito comentava ter lembrado de suas vidas passadas. Aliás, eram poucos livros que retratavam este detalhe. Para estes espíritos desencarnados o que importava mesmo eram suas vidas futuras! A ideia era ser bom agora para ter uma vida futura melhor. Mas, eu não ligava para este algo que faltava. Pior era aceitar que a morte é definitiva. Não! Pensar nisto é ruim. Enfrentar isto me causa dor. Prefiria acreditar em algo que me fazia sentir melhor. Embora soubesse que havia algo errado.

Mas, por algum motivo, esta fé foi diminuindo. Não sei o motivo. Não lembro quando. Mas sei que em algum momento eu passei a considerar que tudo aquilo poderia não ser verdade e que eu precisava encarar isto. Eu sentia que não podia acreditar em algo que não fazia sentido para mim apenas porque me fazia sentir melhor. Pensando mais profundamente, cheguei à conclusão que carrego comigo até hoje. A reencarnação me parece uma morte definitiva, de qualquer jeito. Senão, vejamos. Aqui estou eu, vivo, acordado e escrevendo este texto. Pergunte-me quem eu fui antes disto. Não tenho a menor ideia. Sequer um grão de areia de lembranças destas vidas passadas. Para mim, há um fato: esta me parece ser a única vida que tenho (ou tive). E, caso eu tenha outras vidas futuras a viver, também não lembrarei desta vida que agora estou tendo. E continuarei considerando que aquela será a única vida que vivi. Pergunto-lhe: para a sua vida atual, considerando que o espiritismo diz a verdade, importa saber se você terá uma vida futura ou teve vidas passadas? Que diferença isto fará para a vida em curso?

Caso você morra nesta vida sendo um espírita, poderá nascer na próxima e viver ela toda como um ateu e sequer lembrar que acreditou em espíritos. Sinceramente, não vejo qualquer diferença com a morte definitiva, a perda de minha individualidade. Como posso considerar que esta pessoa nesta vida futura sou eu de novo, uma vez que carrega ideias diferentes das que tive nesta vida? Ou, em um caso, carrega ideias de um momento, aquele desencarnado, de que eu não lembro também? E aqui estou eu, um ateu. Em outras vidas certamente tive outras religiões. Por qual motivo as abandonei? Não lembro. Não sei. Para mim, não há diferença disto com a morte definitiva, pois esta vida parece-me a única que tenho. Pode-se argumentar de que não importam as vidas passadas, mas apenas o que serei daqui em diante. Não me convence, contudo. O que fui me importa, sim. É lembrando dos erros que cometi cerca de 10 anos atrás que evito cometer eles novamente. Não é apenas por instinto, é pela razão também que evito novos erros. Então, como não lembrar do que fui não me seria útil? Claro que seria.

Neste ponto, eu percebi que o chão havia sumido. O espiritismo não fazia mais sentido para mim, uma vez que não acalmava meu principal medo. Agora, então, eu precisava encarar a vida com uma perspectiva diferente. A perspectiva de um ateu. E, você me perguntará, como pode o ateísmo ter lhe ajudado a superar este medo? Não foi o ateísmo que me ajudou a superar este medo. Fui eu mesmo. Ler, pensar, viver e refletir profundamente sobre estas questões me ajudou a entender que o momento atual é único, bonito e deve ser vivido sem medos. O medo exagerado lhe tira o prazer de viver a vida. O ateísmo foi apenas uma consequência natural disto tudo, não o meio.

Mas o ateísmo não surgiu em mim tão rápido. Ainda tive longos meses crendo em Deus. Embora, agora, o espiritismo não fosse mais uma alternativa. Mas Deus era. Devia existir um Deus por aí, eu pensava. A verdade é que eu me forçava a acreditar em Deus. Talvez medo. Ou mera ignorância. Remover Deus da minha vida foi outro passo um tanto doloroso. Eu ainda carregava aqueles receios normais, como “evitar falar o nome de Deus em vão”, não xingar e falar Deus logo depois. Chega a ser engraçado, não? Mas era verdade. Até me libertar disto, passaram-se alguns meses. Mas consegui. E você perceberá post a post neste blog como agora encaro a vida. Perceberá que não tenho mais medo da morte definitiva. Ela não me preocupa mais. Senti um alívio imenso ter aceitado isto. Hoje, vivo pelo hoje. Vivo porque viver é bom, embora existam problemas a serem superados.

Faço o que é certo, porque é certo e não porque me garantirá uma possível vida futura melhor. Não me sinto obrigado a venerar nenhum deus. Somente à vida. Esta vida! Às pessoas.

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Ano Novo. Novo Blog.

Ano Novo. Novo Blog.

Para os atentos, já faz mais de um ano que não crio posts neste blog. Não por falta de interesse absoluto, ou por ter me tornado um religioso. Muito pelo contrário. Infelizmente, contudo, há momentos em que precisamos dar atenção a outros fatos. E este foi o motivo maior para a parada. Contudo, aqui estou de volta. E de volta em todos os sentidos, pois antes até mesmo a leitura sobre o assunto havia parado. Mas, agora, espero ter tempo para iniciar uma série de posts.

Para os ainda mais atentos, o blog passou por modificações estéticas. Mudança de tema. Mudança nos posts antigos, incluíndo agora imagens. Por qual motivo? Fui aprendendo a melhorar a minha forma de escrever e acabei percebendo que imagens significativas atraem mais a atenção do leitor. Os posts antigos foram apenas “decorados” com algumas imagens, mas os próximos pretendo que as imgens sejam mais contextuais. Informem mais do que distraiam. Espero alcançar este objetivo.

E qual será o assunto que pretendo tocar para o próximo post? É algo mais pessoal. Não escondo que já pertenci à classe dos religiosos e profundamente crentes em Deus. Questionamentos passaram pela minha cabeça, igual a como acontece com todo “ex-religioso”. O principal, no meu caso, era entender e viver a vida sem essas ideias religiosas que ocuparam minha vida por tanto tempo. Tendo vivido como espírita por pelo menos uns três a quatro anos, a parte mais difícil foi aceitar que não há vida após a morte. Algumas pessoas já me perguntaram como eu consigo viver sem uma perspectiva de que há vida após a morte. De que a vida atual sem esta perspectiva torna-se, de certa forma, injusta, pois não explica fatos cotidianos. Mas, vou parar por aqui, pois não pretendo esgotar o assunto já neste post.

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Discutindo a Reencarnação

Discutindo a Reencarnação

A reencarnação é uma ideia oriunda do espiritismo. Embora na história seja possível encontrar referências a ideias semelhantes, foi esta religião, ou doutrina, como costumam dizer seus adeptos, que mais difundiu a noção de reencarnação nos tempos modernos. Mas, porque eu não dou crédito à reencarnação e não acredito que ela exista? É o que tentarei lhe explicar em duas postagens. Nesta primeira, eu estarei preocupado na reencarnação como um fenômeno natural.

O que eu quero dizer com “fenômeno natural” é que não considerarei a interferência de Deus. Não estarei interessado em saber da justiça divina que existe por trás desta ideia. A reencarnação não será usada como objeto de prova da existência de Deus ou seus desígnios. Para deixar claro, discutirei porque não dou crédito à reencarnação considerando a inexistência de Deus.

Considerando as colocações acima, vamos partir para a discussão. Segundo o espiritismo, todo ser humano possui um espírito. Na verdade, o ser humano é um espírito encarnado. Ao morrer, seu espírito é libertado do corpo e passa a viver em um mundo diferente do mundo material. Este mesmo espírito pode voltar a habitar o mundo material, reencarnando em um novo corpo.

Quando reencarna, o espírito pode levar consigo “problemas a resolver”. Assim é que os espíritas explicam porque uma criança morre, seja qual for o motivo, aos 5 anos de idade. A explicação que mais escuto é que era um espírito que precisava concluir um estágio em sua evolução, que veio aqui apenas para isto. Todo tipo de sofrimento da espécie humana é explicado através da reencarnação: você está sendo depurado, tornando-se um espírito mais evoluído ao “pagar seus pecados” através de múltiplas vidas.

É possível existir a reencarnação? Alguém conseguiu provar que a reencarnação não existe? Certamente, não. O problema é o mesmo para provar a existência de Deus. Como posso provar que um espírito não existe, se os espíritas dizem que ele é feito de uma materia “sublime”, que escapa aos nossos sentidos e aos nossos equipamentos mais modernos? Como não posso medir um espírito, seja qual for a grandeza, não posso provar que ele não existe. Como não é possível mensurá-lo, a missão da ciência fica bastante complicada. Os espíritas argumentam que aqui devemos partir para a fé. Desculpem, mas fé não explica coisa alguma para mim.

E mais uma vez estamos no velho caminho onde criamos explicações mais complexas do que o próprio fenômeno que queremos explicar. Eu sou de outra vertente: quanto mais simples a explicação, mais chances existem de ela estar correta. Por que uma criança de 5 anos morreu de cancer? Porque sua família tinha predisposição à doença e fatores externos aceleraram o surgimento dela. Esta explicação para mim basta. Não preciso ir além disto. Ah, mas isto é injusto… Opa, lembra o que falei no início da postagem? Não estou me importando com justiça divina. Nossa discussão aqui está considerando a ausência absoluta de Deus no universo.

E eu gosto de repetir: não poder provar a inexistência de algo, não é afirmar sua existência. Está ficando chato eu repetir isto, mas é necessário. Enquanto houver explicação científica plausível para os fenômenos que observamos, nunca partirei para o sobrenatural. E até hoje não encontrei algo que não tenha uma explicação deste tipo.

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